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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Reformar ou renovar equivale a dar a forma que se tinha quando novo. Originalmente o terno Reformada caracterizava aquelas igrejas do século XVI que se levantaram para dar à Igreja da Idade Média a forma da Igreja primitiva, a forma original da Igreja. Em sentido amplo, esse termo podia ser aplicado a todas as igrejas da Reforma. Em tempos mais recentes, contudo, ele passou a ter um significado mais restrito, identificando as igrejas que professam as doutrinas da Graça, conforme apresentadas no sínodo de Dordtrech, na Holanda (1610-1618); o movimento ficou também conhecido como Calvinismo (cf. Harvie M. Conn - Teologia Contemporanea en el Mundo - pp. 149 ss).
Evidentemente, nunca foi propósito dos Reformadores fundar uma nova denominação. Lutero sempre viu a si mesmo como um fiel servo da Igreja. Daí o seu profundo desgosto pelo fato de os primeiros protestantes, na Inglaterra e na França, assim como na Alemanha, terem sido chamados luteranos. Isso pode ser visto em suas próprias palavras. Ele escreveu:
A primeira coisa que peço é que as pessoas não façam uso do meu nome e não se chamem “luteranas”, mas “cristãs”. Quem é Lutero? O ensino não é meu. Nem fui crucificado por ninguém. ... Como eu, miserável saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto em que as pessoas chamam os filhos de Cristo por meu perverso nome? (Timothy George - Teologia dos Reformadores - p. 55).
Lutero registrou assim o seu sentimento em 1522, sem falsa humildade, mas com um esforço real para impedir um culto à personalidade. Lamentavelmente, seu desejo não foi atendido nos termos em que ele colocou. A Igreja Luterana não cultua o seu maior teólogo, mas o seu nome continua a identificar a denominação.
Já no trabalho de Calvino, reformando a crença na autoridade de Cristo e na Palavra de Deus como única regra de fé e prática, com forte ênfase no sistema de governo da Igreja; o movimento passou a ser conhecido por essas características. Assim, raramente se ouve sobre calvinismo, exceto nos círculos teológicos. Nossa Igreja não se chamaIgreja Calvinista, como também não se chama Igreja Paulina; e os escritos de Paulo são muito mais importantes que os de qualquer reformador. Na verdade, duas das características do movimento deram nome aos seus adeptos: 1º- o termo “reformada” - oriundo do propósito dos Reformadores de dar à Igreja da Idade Média a forma da Igreja primitiva, a forma original da Igreja. Esse termo é largamente usado em todo o mundo; 2º - o termo “presbiterianismo” - decorrente da ênfase dada pelos Reformadores à forma de governo, indicando que a Igreja é regida pelos presbíteros.

A Fé Reformada possui quatro características básicas: (1) histórica; (2) doutrinária; (3) emocional; e (4) prática.
1º. Histórica: A queda; a chamada de Abraão; a encarnação, a vida, a morte e a ressurreição de Cristo. Como diz Paulo:
Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé; e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam. Porque se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo, pereceram (I Co 15:12-18).
O argumento de Paulo é simples, ele diz que se a ressurreição de Jesus não é um fato histórico toda a nossa fé é inútil, indicando claramente que os fatos registrados na Bíblia, Antigo e Novo Testamentos, são históricos e verdadeiros. Assim, acreditamos que verdadeiramente Deus criou o mundo, como está registrado em Gênesis; e cremos em todos os relatos bíblicos como sendo a inerrante Palavra de Deus.
Mas se nós só pregarmos história, seremos meros repórteres que lêem um texto. Assim, por questão de justiça à Fé Reformada, ao defini-la, precisamos incluir as outras três características.
2º. Doutrinária: Se a doutrina não é ensinada o povo perece por falta de conhecimento e será levado por qualquer vento de ensino e por filosofias humanas produzidas por mentes corruptas.
Da Palavra de Deus recebemos o verdadeiro ensino quanto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; e a Palavra de Deus é o nosso livro texto para ensinar a verdade à Igreja.
Mas, à semelhança do que falamos sobre o aspecto histórico, também não podemos restringir nossa pregação ao caráter doutrinário, pois isso nos tornaria apenas címbalo que soa, meros ensinadores de fórmulas.
3º. Emocional: A menos que o Espírito de Deus opere, produzindo uma experiência viva em nós; a menos que sintamos o que Deus faz por nós; não seremos diferentes em nada das demais religiões.
Mas, novamente, se pregarmos somente emoção, então estaremos dando lugar à velha crítica marxista: “A religião é o ópio do povo”. Cada característica tem o seu lugar próprio na composição do que chamamos Fé Reformada.
4º. Prática: A Fé Reformada deu-nos: a) a Bíblia em nossa língua materna; b) o direito de cultuar conforme a nossa consciência; c) a prática apostólica da pregação do Evangelho; d) desenvolvimento da ciência.
Portanto, essas quatro características devem estar sempre presente na pregação Reformada, e é a integração delas que vai produzir o seu caráter mais importante e singular.
Alguém já disse que a Fé Reformada tem sido chamada de “doutrina de ferro”, e que mesmo isso não sendo um elogio, tem que ser admitido que ela tem produzido homens com caráter de aço: Calvino, Kuyper, Cromwell, Knox, etc.
A Teologia de Calvino foi responsável pelo despertamento religioso da Escócia. Foi a doutrina de Calvino, sobre o estado como servidor de Deus, que estabeleceu a idéia de governo constitucional e que conduziu ao reconhecimento dos direitos e liberdades dos súditos. Foi a Fé Reformada que valorizou a mulher, que incrementou a educação e o preparo de homens para melhor servir na comunidade. É duvidoso que algum teólogo tenha desempenhado um papel tão significativo quanto o de Calvino na história mundial.

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